tenho fases como a lua
tenho fases
tenho medos
fraquezas
desencontros
desentendimentos
tenho faces como a lua
eu te pego
e me entrego
como um ser desmembrado
em outra atmosfera
num outro sistema
solar
perdido
leve
apenas deixando teu corpo
ser guiado pela sensível gravidade
pra perdição
ou pra perdição
o bom de usar essa palavra
é que ela também tem fases
como a lua
eu quero poder
enxergar
além de horizontes
de verticais
que se inclinam
formando diagonais
que as vezes se perdem
ao teu encontro
eu procuro em teu olhar
mesmo que de longe
a tua igualdade
a tua vontade
o teu sentido
o teu... sistema
eu quero acreditar
pois acreditar em algo
nos move
nos leva adiante
enfim, crescemos
eis os pensadores
que fizeram a proeza
de pensar por mim
já dizia os versos clichês
de Caio Fernando Abreu
"sou tão inseguro, meu bem
não faz assim comigo não,
como dizia Carmen Miranda"
não faz assim comigo não
tens asas para voar
mas prende-se aqui
por um instante
para eu te mostrar
como um ser pode
se desdobrar
por amor
como alguém
que faz dobraduras
e artes com papéis
com papéis fortes
rígidos
pode fazer algo
tão difícil
se tornar bonito
e admirável
não te entendo as vezes
me queres mas queres
quantas ao mesmo tempo?
quantas?
será que....
se tu pudesses entrar na minha mente
entenderia o que eu penso
talvez me taxasses de louca
e me mandarias para um hospício
mas
talvez eu seja a louca
ou será que....?
eu não entendo
o que acontece em minha volta?
tenho fases como a lua
nelas eu me perco
me encontro
vertigem sem fim
medo sem fim
pensamento sem fim
eu busco
as vezes só procuro respostas contrárias
para o que eu encontro
meu bem as vezes tu pareces contraditório
e eu não sei se devo pisar ali
ou aqui
tem algo que me prende
como uma flor
espinhenta
tentando conquistar
o ser mais belo
que a encontrou
mas não consegue pegá-la
pois os espinhos impossibilitam
o ser mais belo de agarrá-la firmemente com os dedos
e sentir teu cheiro
tua essência
sentir a pureza
que uma rosa púrpura
pode trazer
tenho fases como a lua
neste texto grande
já me decidi e não me decidi
tu realmente sentes o que eu sinto?
tu estás vendo o que eu estou vendo?
ou aquela estrela brilha com mais
intensidade para mim
que chega a te ofuscar?
eu não sei
tem atitudes tuas que eu não entendo
não compreendo
são contrárias
ou eu que........
tenho fases como a lua
meu bem
quero que me digas
tu consegues olhar pro céu
e encarar todas as fases da lua?
domingo, 6 de março de 2016
sábado, 20 de fevereiro de 2016
escrever pra não enlouquecer
são seis horas da manhã
de um dia de semana
que eu nem sei qual é
pois eu me perco tanto
nas ideias
nos desejos
que me perco de mim
do tempo
da realidade
a pequena claridade da janela
já denuncia que amanheceu
e eu reviro
a minha cama
impaciente
e vejo
que tu não estás nela
eu queria que tu pudesses olhar
para o que eu estou olhando agora
o meu quarto está um clima
tão bom
que bom seria pouco
pra explicitar o que
eu realmente quero
pena que nele só falta
a tua presença
a escuridão toma conta
mas termina quando eu busco
a claridade desviando meus olhos
na janela
e vejo as cortinas um pouco transparentes
ensaiando breves movimentos
como folhas em coreografia com o
pequeno vento
que as assopram
porém não saem do lugar
vejo estas cortinas tampando a pouca
luz que tenta
invadir o meu quarto
enquanto isso lá fora
tem vidas
pessoas
carros
barulhos
por que eles se tornam tão mais
intensos
quando nós nos deparamos sendo
intensos?
ouço cada barulho lá fora
com genuinidade
desde a gota da chuva que ameaça vir
até a buzina na esquina das
três quadras daqui
tudo isso porque........
tu não estás.....
aqui
a intensidade se acentua da forma
que os cruéis detalhes se exaltam
quando temos as sensações mais
inibidas e oprimidas
sempre nos tornamos
mais veementes
quando nos sentimos
suprimidos
pelo universo
tu tens que sentir isso
que eu estou sentido
se eu pudesse registrar a fidelidade
de tudo isso
as fotos
e as minhas escritas
seriam inúteis
pela grandeza da imensidão do vazio
e da vontade surreal de te ter aqui.
de um dia de semana
que eu nem sei qual é
pois eu me perco tanto
nas ideias
nos desejos
que me perco de mim
do tempo
da realidade
a pequena claridade da janela
já denuncia que amanheceu
e eu reviro
a minha cama
impaciente
e vejo
que tu não estás nela
eu queria que tu pudesses olhar
para o que eu estou olhando agora
o meu quarto está um clima
tão bom
que bom seria pouco
pra explicitar o que
eu realmente quero
pena que nele só falta
a tua presença
a escuridão toma conta
mas termina quando eu busco
a claridade desviando meus olhos
na janela
e vejo as cortinas um pouco transparentes
ensaiando breves movimentos
como folhas em coreografia com o
pequeno vento
que as assopram
porém não saem do lugar
vejo estas cortinas tampando a pouca
luz que tenta
invadir o meu quarto
enquanto isso lá fora
tem vidas
pessoas
carros
barulhos
por que eles se tornam tão mais
intensos
quando nós nos deparamos sendo
intensos?
ouço cada barulho lá fora
com genuinidade
desde a gota da chuva que ameaça vir
até a buzina na esquina das
três quadras daqui
tudo isso porque........
tu não estás.....
aqui
a intensidade se acentua da forma
que os cruéis detalhes se exaltam
quando temos as sensações mais
inibidas e oprimidas
sempre nos tornamos
mais veementes
quando nos sentimos
suprimidos
pelo universo
tu tens que sentir isso
que eu estou sentido
se eu pudesse registrar a fidelidade
de tudo isso
as fotos
e as minhas escritas
seriam inúteis
pela grandeza da imensidão do vazio
e da vontade surreal de te ter aqui.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
a rosa
estas rosas que recebo
elas exalam o perfume
de uma opressão
delinquente
em um dia mascarado
de felizes homenagens
mas as rosas falam sim
falam por todas
elas que são humilhadas
abusadas
julgadas
por usar o que quer
por fazer o que quer
por ter a liberdade
que procuram
e querem ter
a sua rosa não vai calar
a sua rosa não vai ser
apenas
uma rosa
que vai dizer que está
tudo bem
em pétalas elas
se desfazem
em um meio lotado
discriminado
pelo meu salto
pela minha saia curta
pelo meu batom escuro
por apenas
pelo meu ser
os chocolates derretem
sob um mar salgado
de agressões
de berros
e massacres
meu eu em si é uma rosa
mas não dessas que você
me entrega de vez em quando
de seus buquês vazios
cheios de nada
que não calam
não compram
apenas faz fortalecer
meu jardim de lutas diárias
elas exalam o perfume
de uma opressão
delinquente
em um dia mascarado
de felizes homenagens
mas as rosas falam sim
falam por todas
elas que são humilhadas
abusadas
julgadas
por usar o que quer
por fazer o que quer
por ter a liberdade
que procuram
e querem ter
a sua rosa não vai calar
a sua rosa não vai ser
apenas
uma rosa
que vai dizer que está
tudo bem
em pétalas elas
se desfazem
em um meio lotado
discriminado
pelo meu salto
pela minha saia curta
pelo meu batom escuro
por apenas
pelo meu ser
os chocolates derretem
sob um mar salgado
de agressões
de berros
e massacres
meu eu em si é uma rosa
mas não dessas que você
me entrega de vez em quando
de seus buquês vazios
cheios de nada
que não calam
não compram
apenas faz fortalecer
meu jardim de lutas diárias
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