quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

amor inconsciente

Talvez agora eu te olhe com olhos de pena... sendo que antes, eu te olhava com olhos de paixão e ternura. Triste é saber que não hesitou em me procurar para aliviar meu desgoto ao descobrir seu lado ousado e malicioso perante aos outros. Talvez agora eu te trate com indiferença mesmo que ainda eu não tenha te apagado completamente de minha alma. Se o gênio da lâmpada existisse só faria um pedido: te tirar de minha mente vazia da qual se ocupa somente de ti. Conheço seus passos e sei de todos os seus planos... não há outra pessoa que possa ocupar meu lugar. Este lugar que eu tanto cuidei e tanto dei de mim mas que já não é mais meu e sim de outra, pois sei que não consegue ficar sozinho e muito menos com uma única pessoa. Não consegue dividir sua atenção para a mesma, precisa estar cercado de várias. Infelizmente fiz parte dessa coleção, felizmente consegui abrir meus olhos. Estou plena e libertada, finalmente pude me dar conta do quão tolo você foi e que de mim, não provará mais. Sou feita de desafios, tenho meus riscos e os arrisco mas no final saio sã enquanto você, continuará com essa vida medíocre sem ao menos ter a chance de alguém te fazer feliz completamente, como eu pude, mas você ousou em prendê-la em suas mãos fazendo com que, aos poucos, toda essa felicidade, desapareça entre seus dedos como se fosse uma areia seca do deserto, cujo vento levará... e levou, embora.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

morte ii

Agora que percebo que não sou nada, sou uma gota d'água perto de uma cachoeira límpida e transcedente que escorre suas águas em pedras eminentes e escorregadias, mas que escorregam, enquanto eu vivo sendo levada por estas águas e nunca por mim mesma. É aí que vejo meu insano e perplexo poder. Sinto que não posso fazer nada perante certas situações lúgubres, gostaria de fazer tudo pena não ter o poder de mudar as coisas. São nessas situações que vejo que não irei escapar, que vejo que meus tão amados não escaparão, e então, que farei eu? Ficarei sentada em meu sofá vendo meu programa de televisão favorito como uma frustrada inconsequente sem se importar com o hoje e nem com o amanhã? Que farei eu, Senhor? Ao ver estes escuros cenários acontecendo ao meu redor e eu aflita querendo descobrir o motivo para isso tudo, o motivo desta passagem e desta volta para o paraíso no qual eu não consigo decifrar, no qual eu fico noites e noites refletindo do porque sentiremos dor, do porque viraremos cacos de vidro que podem se quebrar a qualquer momento, à quaisquer piscar de olhos. Não entendo, se ela (a poderosa) chegará, não poderemos lutar contra, virariamos um rato na boca de uma cobra, das mais exigentes e velozes que existe. Então para que virar um pó? Se esse pó dormente sem poder vai nos deixar de qualquer maneira? Sabemos que nesse pó ainda tem um coração batendo, doloroso e com cuidado, mas batendo. Para que precisa ser assim? Vemos pessoas indo todos os dias, algumas indiferentes, outras que nos deixam cabulosos e outras... que fazem parte de nosso cotidiano, do nosso nascimento, da nossa vida. Que farei eu, Senhor? Continuarei minha vida, sabendo que a mesma sofrerá uma perda inadmissível mas que ao seguir da vida, será compreendido e aceitável. O que resta são as imagens, os pequenos detalhes dessa vida que se vai, dessa vida que no presente está sofrendo, mas que quando menos esperar, estará no paraíso, descançando como um gato repousa em vários cantos sem o incomodo de ninguém, pois só assim viverá sua volta à sua origem em paz. Aos que ficam no mundo dos vivos, peço que hajam com menos desprezo e mais serenidade. Largem do amargo da vida e procurem o doce pois ninguém sabe o dia de amanhã. Não hesitem ao falar o que pensam e o que sentem até porque pode ser tarde demais. Não seja tão duro com o próximo, não reclame de barriga cheia. Hoje estou eu aqui fazendo este texto em memória de alguém que pode sair de minha vida daqui umas semanas. O ser humano é mesmo frágil e é como se fosse um personagem em uma louca e aventura peça de teatro, onde aos poucos vai desaparecendo e aparecendo novos personagens. No final, nem eu mesma saberei em qual caminho seguir pois sei que a poderosa nos ronda dia e noite, só espera o momento certo e aí, será fatal. Que farei eu, Senhor? Continuarei a escrever meus textos e sendo o personagem deste grande teatro onde nunca se fecham as cortinas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

morte

Tentei decifrá-la. Não consegui. Tentei justificá-la e não encontrei respostas supostamente viáveis para meus pensamentos insanos e atordoados. Creio que vim de longe, muito longe, porém não sabemos o dia em que voltaremos para esta origem. Pode-se dizer que ela é um mistério, silenciosa e consequentemente, inconfundível. Não a enfrente pois ela pode mais que você, mas também não a provoque pois não queira saber o quão nervosa ela fica se você tirá-la daquele descanso gostoso. Não temos uma imagem dela, apenas sabemos o que é ela... ou não. O que eu sei, nada sei. Ela está presente todos os dias, será que ela estaria do meu lado agora? Às vezes sinto uma presença obscura me rondando, rondando meus pensamentos, meu espiritual. Queria poder retirar sobre o mesmo. Posso não ser mais forte, mas posso ser mais esperta. Engano meu. Não conseguimos escapar pois ela olha por nós a todo tempo, só espera o tempo certo para abocanhar-me, abocanhar-lhe, abocanhar-nos. Queria poder ter um relógio e um calendário para escolher o dia em que ela iria me visitar, porém, não é possível. Ela gosta de surpresas e mais ainda, de provocar mistérios alheios, curiosidade. Ela age de forma horrenda, às vezes de forma mais carinhosa e outras, até dolorosas... depende de seu humor! Mas ela vem, e aí que você percebe que você não escapa e nunca irá escapar. Todos nós seremos conduzidos por ela, talvez ela seja a ponte certa para nos encontrarmos neste lugar longe, muito longe de que vim. Só não quero saber quando, espero que não tão breve pois ainda tenho muito de vivenciar esta grande e louca viagem que me privilegiaram.