terça-feira, 19 de maio de 2020

chacina

desenrolar
a realidade em poesia
do era uma vez
o conto de fadas
daquele verde e amarelo
mas que destaca
o aquarela do vermelho sangue
de veias dilatadas
do infortúnio desastre
- quem dera se sua vida fosse diferente -
intolerantes armas apontadas
pra cor da sua pele
e classe
todos
os
dias
dias intermináveis,
explico,
o que há de ter fim
se nos perdemos no meio
e nem nos encontramos no começo
divagar o calcanhar em pregos
levitar
ao ponto de se tornar invisível
mas visível aos olhos de quem mira
o antônimo,
a ironia degradante do Estado
dos Palmares ao ode à liberdade
Maria de Jesus e o quarto do despejo
?o que difere?
a isca perfura e transpassa o céu 
a constelação recorrente 
de sonhadores em guerra
carregados de lágrimas que não secam
....
recarregando o fôlego
à seco
à vácuo 
ao buraco.
chegamos a era 
dos ideais ascéticos
a sensibilidade concebida
e personificada no trágico
daquele que vive,
daquele que vê
o efervescente sentimento
que queima e sangra
o que resta se não resistir?






para: Ágatha Félix, Iago César, Jenifer Gomes, João Pedro, Kauã Rozário, Kauê dos Santos, Kauan Peixoto, Kethellen Gomes, Marcos Vinicius, Marielle Franco e todos os outros inocentes assassinados violentamente pelo sistema.

sábado, 16 de maio de 2020

sobre mim?

sinestésica
sintética
a síncope
em
s
í
n
t
e
s
e
na sintonia frequente
da selvageria
à calmaria
os lábios do mistério
que emitem o som do silêncio
me retiro em ressonância.
eu me sinto magnética 
na alma suspirante
o genuíno e próspero sentimento
doce 
acalmado pelo som eloquente
do desalinho cósmico 
eu sou poesia
mesmo que eu tente me descrer
através de táticas infalíveis do não ser
eu disserto em contraponto 
das arestas não encontradas
do meu ponto cego
não há ninguém nesse mundo
que possa me ler
se não eu mesma
insinuante, eu me afogo
no orgânico sentido
de procurar um sentido
desperto quando entendo
que amar é sobre não ter pressa
escaldada sempre em correria
pela primeira vez fadada 
no contraste da leveza,
eu suspiro aliviada.
encapsulada por velas aromáticas
me resguardo na vista linda
do meu interior inacessível
mas que penetra o profundo e,
ironicamente, ultrapassa o físico
a força brutal polida
se torna fluorescente em minha pele pálida
e corada de frio
rios fluindo como o sangue 
correndo em veias
somos metáfora.
eu sou a metáfora
que uso pra traduzir
as minhas poesias...
entorpecentemente instigante,
se você entendesse
talvez não estaria aqui
pra tentar descobrir.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

0505

se foi
em pedaços carrego meus cacos
perdidos no chão frio
riscado por gasturas do tempo
se foi
meu coração perdido no meio do caos
me encontro em outro caos
o labirinto perfeito
da recorrente ânsia 
pelo desconhecido
me evaporo e descompasso
meus passos tortos
embriagada de lágrimas turvas
eu me transformo em sombra...
um lado meu se foi
o caminho se abre
pra coroar a paz
do seu reinado merecido
um jardim verde e florido
de sol quente
pra você brilhar
como todo tempo é cruel
- difícil é sair do labirinto a tempo
mas como todo tempo é viver
eu aprendi tanto com você....
te carrego em vida
sonhos
e em outros planos
minhas mãos geladas e trêmulas
acaricia a sua alma pura e genuína
te amarei em vida
no passado
presente
futuro
te amarei em todos os planos.
restam as reticências 
(.............)


de toda realidade síncope,
de ti levarei a saudade.