[sinto que eu mesma me devoro
me devoro de loucuras
de inconstâncias
me devoro de expectativas
essas que não transformo em realidade]
*
tentei e desisti.
o poeta nunca transfere a arte para si mesmo
é sempre para alguém
para algo
a coisa vale mais que si mesmo
uma caneta e um papel descreve mais ele
do que si mesmo
já não sei mais sobre o que escrever
se tudo o que me vem na cabeça é você
e o que é você?
que na minha mente se transforma em um quadro
rabiscado, parecendo arte abstrata
não consigo te olhar, te observo apenas
mas com sombras
riscos e gravuras
como se fossem códigos
o que é você?
seria você um outro poeta que não consegue
mostrar a si mesmo?
te carrego em sonhos
e agora em papéis
meu lápis parece conhecer a folha
meu lápis parece conhecer o que quer escrever
ele tem algo a dizer
o grafite leve aos poucos se torna grosso
ponta fina apontada que do nada se transforma
em uma áspera ponta desgastada
como uma sinfonia mau organizada
te dedico esse rascunho
não te compreendo
o rascunho rabiscado sob observações e notas no roda pé
dando um contraste para que eu
lembre do recado
continuo sem saber
você se esconde
eu te mentalizo
mas você some
de vez em quando reaparece
desalinhando o meu ser
o que quer sugar de mim?
sou uma pobre poeta que desenrola
alguns poemas na madrugada
meu sentimento de agora é sobre o que escrever
passei tanto tempo com meus papéis na gaveta
tentando fazer as pazes com meu eu
tentando me realinhar
o sol brilha para mim as vezes
mesmo que seja na menor fresta da minha janela
e no meu cubículo quarto
me mantenho nele
me esbaldo nele
tento usar esse resto de sol
para iluminar a minha pele opaca
e brilha....
e reluz.....
mas assim como tudo,
desaparece.
assim como você.
só o que não desaparece são
as minhas loucuras
a minha mente amaldiçoada
por um feitiço que ainda não descobri qual é
o que é você?
por que está na minha mente agora?
e por que me fez tirar os papéis
amarelados e esquecidos da minha gaveta agora?
sabe....
até que não seria de todo o mal que você
aparecesse para mim
aqui
e
agora.
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
a arte de ter conversas difíceis
a arte de ter conversas difíceis
o salgado da água do mar
me confunde com a rispidez
da desordem
se soubesses o quanto eu gostaria
de dizer
de fazer
o mundo seria pequeno.
todas as águas seriam doces
sem o sal do mar
sem o azedo do cítrico
que instantaneamente
estala o dente
contorce a língua
inunda a boca de saliva
mas de saliva amarga
o asfalto quente do calor
frita a água da chuva que cai espessa
as gotas caem pesadas
grotescas
.pingos.que.doem.
não estão em sua natureza límpida
estão modificadas por um ambiente cinza
que não condizem com o leve vento natural da paz
confundem com as lágrimas que caem nos olhos
salgadas quando se encontram na boca
passo a língua e remeto àquele salgado do mar
tento falar e não saem palavras
o méleo esquecido em um calafrio torpe
momento sem lucidez
conversas vazias com muito conteúdo
eu.sei.que.aquilo.faz.algum.sentido.
mesmo que no âmago do amargo...
existe algo ali.
mas nós dois não sabemos
não nos encontramos
ainda.
o oceano infinito leva e traz ondas a todo tempo
ondas bravas
ondas leves
as vezes nem traz
mas a lágrima transcreve o que vem de dentro
e inunda o material de fora
a energia transpassa recargas sadias de sonhos
aquele vento leve não é leve
é carregado.
as estrelas do céu não brilham, reluzem o rosto
como queimaduras de tentativas descrentes de sinais
as conversas não saem
os diálogos são difíceis
as pessoas se tornam pessoas
não no sentido humano de ser
mas no sentido do objeto
o mero ser não existe
mesmo que por uns instantes
aquilo faça sentido para mim
e para as minhas lágrimas
que sonho em se tornarem doces...
o salgado da água do mar
me confunde com a rispidez
da desordem
se soubesses o quanto eu gostaria
de dizer
de fazer
o mundo seria pequeno.
todas as águas seriam doces
sem o sal do mar
sem o azedo do cítrico
que instantaneamente
estala o dente
contorce a língua
inunda a boca de saliva
mas de saliva amarga
o asfalto quente do calor
frita a água da chuva que cai espessa
as gotas caem pesadas
grotescas
.pingos.que.doem.
não estão em sua natureza límpida
estão modificadas por um ambiente cinza
que não condizem com o leve vento natural da paz
confundem com as lágrimas que caem nos olhos
salgadas quando se encontram na boca
passo a língua e remeto àquele salgado do mar
tento falar e não saem palavras
o méleo esquecido em um calafrio torpe
momento sem lucidez
conversas vazias com muito conteúdo
eu.sei.que.aquilo.faz.algum.sentido.
mesmo que no âmago do amargo...
existe algo ali.
mas nós dois não sabemos
não nos encontramos
ainda.
o oceano infinito leva e traz ondas a todo tempo
ondas bravas
ondas leves
as vezes nem traz
mas a lágrima transcreve o que vem de dentro
e inunda o material de fora
a energia transpassa recargas sadias de sonhos
aquele vento leve não é leve
é carregado.
as estrelas do céu não brilham, reluzem o rosto
como queimaduras de tentativas descrentes de sinais
as conversas não saem
os diálogos são difíceis
as pessoas se tornam pessoas
não no sentido humano de ser
mas no sentido do objeto
o mero ser não existe
mesmo que por uns instantes
aquilo faça sentido para mim
e para as minhas lágrimas
que sonho em se tornarem doces...
terça-feira, 3 de abril de 2018
selva
o suor da loucura percorre meu corpo
como uma terra úmida do sereno da noite
molhada e pegajosa
o silêncio da imensidão calcula quase que a distância de um perímetro do meu corpo ao seu
eu sorrio entre beijos sorrio
nessa loucura eu imagino o quanto seria louco nós dois perdidos nesse mundo
mas destinados a nos encontrar em um momento
o labirinto pode ser confuso e derradeiro
mas o cheiro do seu suor quando se encosta no meu corpo
me habita uma pele selvagem
que te faz sufocar
que te encontra
que imediatamente derrama minhas orquídeas líquidas
líquidas do prazer desarmado
daquele doce estranho que me trouxe até aqui
que me fez sentir seu toque delicado das suas mãos geladas e macias
seu corpo macio
quente que estabiliza
aconchego do frio que faz um pouco lá fora
a alma transfere os nossos desejos mais loucos e intensos
nos fazendo perambular na terra em busca de tempos perdidos e aqueles que serão perdidos em um momento
eu só transcrevo
nesse suor derramado eu enlouqueço
o cheiro da sua pele permanece em mim por um milênio
parece até que impregna por todas as camadas da epiderme
minha pupila dilata e eu me estiraço para você
durante o dia durante a noite
somos um só
pelo momento do agora
o amanhã será o tempo perdido do hoje
impregnado no calor do outro enquanto coloca em mim a bomba relógio
que vai explodir
que vai sentir a alma coberta por flores em um mar calmo de ondas severas
e então eu grito
incansavelmente
eu te desenho nas costas
minhas unhas se tornam quase que parte do seu corpo
a liberdade do meu ser junto ao seu
anestesiados
seus suspiros arrepiam meu pescoço
fazendo minha pele entrar em erupção com o suor e o arrepio
o límpido grunha meu corpo como marcas de ácido
em um leve desmaio sinto do âmago escorrendo por mim
me abraço em seus braços e meu corpo treme junto ao seu
e então eu sorrio entre beijos sorrio
do desespero a calmaria
e o pudor esquecido debaixo da terra úmida
ainda me falta consciência
mas também ainda me falta o fôlego
que daquele momento eu sei que o tempo se tornou uma eternidade e não mais o agora
minhas pernas se tornam mais fracas deixando-o ir embora
mas o impacto permanece e um alívio me entorpece como um desmanche imediato
o universo é testemunha, ele sabe
e amanhã será um novo reencontro
como uma terra úmida do sereno da noite
molhada e pegajosa
o silêncio da imensidão calcula quase que a distância de um perímetro do meu corpo ao seu
eu sorrio entre beijos sorrio
nessa loucura eu imagino o quanto seria louco nós dois perdidos nesse mundo
mas destinados a nos encontrar em um momento
o labirinto pode ser confuso e derradeiro
mas o cheiro do seu suor quando se encosta no meu corpo
me habita uma pele selvagem
que te faz sufocar
que te encontra
que imediatamente derrama minhas orquídeas líquidas
líquidas do prazer desarmado
daquele doce estranho que me trouxe até aqui
que me fez sentir seu toque delicado das suas mãos geladas e macias
seu corpo macio
quente que estabiliza
aconchego do frio que faz um pouco lá fora
a alma transfere os nossos desejos mais loucos e intensos
nos fazendo perambular na terra em busca de tempos perdidos e aqueles que serão perdidos em um momento
eu só transcrevo
nesse suor derramado eu enlouqueço
o cheiro da sua pele permanece em mim por um milênio
parece até que impregna por todas as camadas da epiderme
minha pupila dilata e eu me estiraço para você
durante o dia durante a noite
somos um só
pelo momento do agora
o amanhã será o tempo perdido do hoje
impregnado no calor do outro enquanto coloca em mim a bomba relógio
que vai explodir
que vai sentir a alma coberta por flores em um mar calmo de ondas severas
e então eu grito
incansavelmente
eu te desenho nas costas
minhas unhas se tornam quase que parte do seu corpo
a liberdade do meu ser junto ao seu
anestesiados
seus suspiros arrepiam meu pescoço
fazendo minha pele entrar em erupção com o suor e o arrepio
o límpido grunha meu corpo como marcas de ácido
em um leve desmaio sinto do âmago escorrendo por mim
me abraço em seus braços e meu corpo treme junto ao seu
e então eu sorrio entre beijos sorrio
do desespero a calmaria
e o pudor esquecido debaixo da terra úmida
ainda me falta consciência
mas também ainda me falta o fôlego
que daquele momento eu sei que o tempo se tornou uma eternidade e não mais o agora
minhas pernas se tornam mais fracas deixando-o ir embora
mas o impacto permanece e um alívio me entorpece como um desmanche imediato
o universo é testemunha, ele sabe
e amanhã será um novo reencontro
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