quarta-feira, 7 de março de 2012

monsieur linh

[...] Monsieur Linh lui parle pour la rassurer. Le médecin a des gestes calmes qui n'effraient pas l'enfant. Il asculte ses yeux, ses oreilles, écoute son corps, pose ses mains sur son ventre. Il se retourne, sourit au vieil homme et parle à la jeune fille :
"Le médecin dit qu'elle est en parfaite santé, Oncle, vous n'avez paz de souci à vous faire. Il a dit aussi que c'était un beau bébé !"
Mousieur Linh sourit. Il est heureux et fier. Il rhabille l'enfant. La robe sous ses doigts est douce comme une peau.
Lorsque les deux femmes le raccompagnent au dortoir, il est bien tard. La nuit est tombée depuis longtemps. Plus question de sortir. D'ailleurs, Monsieur Bark doit avoir quitté le banc. Il doit se poser des questions. Il doit être inquiet. Avant de le quitter, la jeune fille luit dit ceci :
"Demain, on va venir vous chercher, Oncle. C'est votre dernière nuit ici. On vous conduira dans un endroit où vous serez mille fois mieux bien plus tranquille et plus à votre aise."
Monsieur Linh est affolé.
"Je suis bien ici, je ne veux pas partir..." [...]


La petite fille de Monsieur Linh, page 112
Philippe Claudel

sábado, 14 de janeiro de 2012

sem título, é incerto

Nessas linhas desse caderno, a emoção invade de uma forma envolvente e inconsequente, que faz de mim uma amante das sextas-feiras caseiras entre as batidas frenétidas do meu coração pobre, que já não sei se aguenta um ou mais dois anos de tanta explosão contida e entre minha agoniante dor no estômago, que já mandei, com todo respeito, mas com meu português claro, para a casa do caralho. Não dizem que o poeta precisa da dor? Estou com dor, porra. Agora só falta meu lado poetista... Talvez eu o encontre ao decorrer do texto, que por sinal, nem sei do que vai falar. Aqui vou eu outra vez, só que menos paciente! Juro que se isso me irritar, decido parar com uns tempos com essa minha mania de "escrevedora": escritora + amadora, que seja.
De fato, não vai ser um português bem escrito, com palavras difíceis e que causam aquele impacto de primeira, pseudo-cults me irritam. Uso-as quando me der vontade, e de verdade, essa vontade passa bem longe de mim. Gosto de um tom unique e sagaz.
Parecia ontem que eu estava pensando na minha vida, mas eu não tinha a ideia do poder das incertezas, e digo mais: elas me causam medo. Tenho mais medo da incerteza do que as próprias certezas, do tipo, a morte. Se parássem para pensar veriam que as incertezas realmente te pegam de um jeito sucinto e inesperado, quando você abrir os olhos... já era. E isso acontece comigo na maior parte do tempo, vivo sempre de olhos fechados para a vida - tudo bem que eu gosto e muito de dormir, mas não nesse sentido - e sim, de não querer olhar a realidade. De um tempo para cá, eu me achava aquela adolescente forte como uma pedra, que encara todos os desafios à cara tapa, porém, as coisas não andam bem por esse lado. Se eu tivesse escolha, é óbvio que não iria querer sair debaixo da sainha da mamãe. A vida segue, você segue, e eu segui - não segui muito longe, mas estou sendo encaminhada - e aí bate aquele medo em você, aquele choque de realidade como: sou adulta! E diante desses medos e incertezas (e dessas formigas que insistem em invadir meu teclado) sua vida passa, e passa bem rápido. Eu digo que a vida é um sopro, quando você assopra, pronto, o vento já levou e você nem viu o que aconteceu. O quê é que eu vou fazer? O quê eu vou ser? Por quê tem de ser assim? Perguntas que não há respostas, nem os mais fodas filósofos souberam responder essa. Claro, cada um tem sua ideia contida na cabeça, mas a resposta concreta não há. Uns pensam pela razão e outros pelo coração. Já eu, nem isso tenho em mente.
Na verdade, o meu maior medo é não concretizar meus objetivos, meus planos. Nós fazemos planos desde que nascemos para nossas vidas, mas, as incertezas chegam para estragar tudo. Porra, não posso nem viver em um conto de fadas faz-de-conta, de vez em quando? É legal se iludir as vezes, na medida certa. Queria um sinal do além, de marte, de júpiter, da puta que o pariu, mas um sinal. Através desse sinal eu vou saber se eu continuo com meus rabiscos nas folhas do meu caderno fazendo meus planos, ou então, rasgo-as e jogo-as na lata do lixo, simples assim. A vida não é dura como dizem? Pois então, rasgo-as e pronto, serei dura também. Pensando bem, talvez o certo seria mudar meu destino para Filosofia e passar minha vida toda fumando um baseado e tendo sinais à todo momento - ou pelo menos acharia que seriam sinais - Enfim, o que eu quero agora, nesse momento, é aprender a lidar com toda essa realidade, porque eu estou vendo que tudo isso está me sugando cada vez mais, não restará nem se quer um pózinho meu desse jeito. Só queria pegar uma bola de cristal que preste, não essas fajutas, e que me mostrasse o caminho certo. Mas, como não existe isso, continuarei tomando certas decisões, tentando descobrir o por quê de aprendermos álgebra e geometria, tentando descobrir, realmente, o sentido, o sabor da vida, que de vez em quando é amargo demais, e que sinceramente, não quero provar essa merda de novo, preciso de algo mais agradável, algo que seja perfeito para meu paladar... Mas, quem dirá isso? Quem ditará isso? Quem tem certeza disso? Será...? É, deixa. Continuarei seguindo meus passos, que de vez em sempre, são foras da lei (e não, não o cowboy). Veremos o que o destino me reservará... veremos. Enquanto isso ficarei na espera, tentando me despistar das malditas incertezas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

infinita highway

É estranho pensar no passado como algo que aconteceu bem distante, algo que você nem acredita que aconteceu. É como se você retornasse toda a estrada da sua vida que caminhou durante todo tempo e vir as lombadas, buracos, curvas que passou, algumas não percebidas, outras tão grandes que nunca se deu o trabalho de esquecer porque está constantemente rondando sua cabeça. Difícil é querer pegar um cimento qualquer e cobrir as falhas de sua caminhada, nada feito, a estrada só tende a crescer cada vez mais, com mais lombadas, buracos e curvas. Se eu soubesse alguma fórmula específica do esquecimento, talvez não estaria cá estou eu. Ás vezes nos pegamos sendo inimigos do nosso próprio pensamento. Ele parece ser tão cruel. Também tenho vontade de migrar em outra estrada, andar sem rumo, sem responsabilidade, apenas andar e andar. Assim diria Graciliano Ramos - andar que nem um judeu errante - ver o pôr-do-sol como se fosse a última vez na minha vida, sentir o cheiro da natureza como se não houvesse mais nem um cactus, só terra morta. Dar valor às pequenas coisas pode se tornar um caminho pensável, no qual acredito que não me arrependeria. É, passei a metade dessa minha viagem reclamando de coisas esdrúxulas, definitivamente de barriga cheia enquanto outros, nem esse direito tem. Estranho pensar nisso, seria um pensamento capitalista demais, apesar de ser a triste realidade, da qual, insisto muitas vezes em fechar meus olhos, fazendo de mim uma pessoa, de fato, egoísta.
Meus possíveis passos não serão calculados, nós tentamos de todas as formas criar espectativas, esperanças por algo que nem sabemos se irá acontecer certamente. Só caminhamos, e caminhamos muito perante à uma digníssima aventura que somente cada um de nós sabemos a origem e por certo, a morte. Ah, humanos mortais! Se tudo fosse perfeito não haveria de ter graça na vida. Quem seriam os "gauches" e os tais rebeldes revolucionários? Quiçá estaríamos na Idade da pedra ainda... Não paro de caminhar nessa minha highway que tanto temo. De vez em quando pego uma carona aqui, outra lá e assim vou continuando sem rumo, apenas respeitando minha missão. O destino virá indubitavelmente. O melhor mesmo é deixar o passado como passado e se houver novos buracos, que eu ultrapasse de todo modo, sem medo e nem pavor. O que ficou, ficou. Continuaremos na nossa infinita highway - Não queremos lembrar o que esquecemos, nós só queremos viver... Não queremos aprender o que sabemos, não queremos nem saber sem motivos, nem objetivos... Estamos vivos e é só, só obedecemos a lei da infinita highway. - que há de ter um fim.